segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Nada paga a liberdade de um homem, diz adolescente

O Programa Ame-se, que coordena, executa e fiscaliza o cumprimento de medidas sócio-educativas em meio aberto para adolescentes com problemas em questões relacionadas a comportamento social está surtindo efeito na sociedade. Segundo as especialistas que atendem ao programa, o número de atendimentos é expressivo. Desde que foi implantado em fevereiro, são de 120 a 140 adolescentes em processo de ressocialização. As medidas sócio-educativas estão previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (Lei 8069/90).

O objetivo é reeducá-los para inseri-los de volta à escola formal e profissionalizante e ao mercado de trabalho. São atendidos adolescentes com idade entre 12 e 18 anos, encaminhados pelo juizado da Infância e da Juventude por cometeram ato infracional. Os casos mais comuns são dirigir sem carteira, furto, brigas, uso e tráfico de drogas, entre outros. Para cada caso, é desenvolvido um tratamento e o acompanhamento é específico conforme necessidade e realidade do adolescente.

A coordenadora do programa, Armia Terezinha Kracik, revela que a reincidência tem diminuído significativamente. A confirmação da eficácia do trabalho vem, muitas vezes, em forma de agradecimento nos depoimentos. “Quando eu pensar em roubar vou lembrar de vocês que me ajudaram muito a sair dessa fase ruim da minha vida”, diz um adolescente ressocializado.
“Essa vida de roubo, de drogas, mulheres e dinheiro não é vida”, conclui.

Para Silvia Casagrande, assistente social do Ame-se, é preciso rever conceitos, valores e oferecer apoio e reintegração às famílias. “A maioria dos adolescentes atendidos vêm de uma família desestruturada. Eles estão perdendo o conceito de família, têm baixa escolaridade ou não estuda.”, considera.

Para o próximo ano o programa será ampliado para atender à prevenção e apoio às famílias com a participação de um psiquiatra. “É preciso mudar a concepção de que por eles serem adolescentes nada vai acontecer”, destaca a coordenadora Armia. “Todos precisam de alegria, amizade, amor, esperança, família, juventude, vida, paz, educação e felicidade. São esses componentes que possibilitam oportunizar cidadania ao adolescente e é o que buscamos despertar no Ame-se” avalia Armia. A frase de um dos menores revela o objetivo do grupo: “a vida é feita para ser vivida de cabeça erguida”.

O Programa Ame-se atende aos adolescentes chamados à responsabilidade por um prazo mínimo de seis meses, em casos de liberdade assistida (LA), e prestação de serviços à comunidade (PSC) – período máximo de seis meses. Há outras quatro formas de aplicação de medidas de proteção como internação, semiliberdade, reparação de danos e advertências executadas pelo juizado da
Infância e Juventude e pela Secretaria de Estado da Segurança Pública.

O programa Ame-se é desenvolvido pela Pastoral da Criança e atende junto à Vara da Família, Infância e Juventude com uma equipe multidisciplinar composta por duas coordenadoras, uma psicóloga, uma assistente social, uma pedagoga e três estagiários. É mantido com recursos do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente com gestão do Conselho Municipal de Direitos e da Secretaria Municipal da Mulher, Criança, Adolescente, Idoso, Trabalho e Desenvolvimento Comunitário/ Prefeitura de Balneário Camboriú.

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