
Ontem, viajando a Florianópolis, refleti sobre o amor ao próximo, e tive uma revelação extraordinária. Vamos lá.
Sempre quis amar o próximo na intensidade que gostava de mim, no entanto existiam certas barreiras que impediam o meu altruísmo verdadeiro, o meu prazer em ver sorrisos alheios, e a minha convicção de que só o amor era suficiente para conquistar as minhas metas.
Um certo dia, porém, me peguei amando ao próximo como eu me amava, e este dia foi ontem.
Pensei comigo, por que esse prazer germinou e floresceu tanto como uma plantação de mostarda?
Então fiquei surpreso com a conclusão: vivi 25 anos sem conhecer-me.
Eu não me amava, essa foi a resposta. Eu não me conhecia, não enxergava os meus medos e as minhas falhas, pois estava com os olhos do coração fechados. Quando sentia medo e vivenciava as falhas pensava em abrir os olhos, mas não tinha forças.
Todos nós (orgulhosos e vaidosos) "conhecemos" os nossos defeitos, mas o coração nunca muda, as atitudes continuam as mesmas, as desavenças na família perduram há anos, os locais de trabalho, ainda que mudemos de engenheiros para advogados, não nos agrada, o estado das coisas permanece o mesmo.
Ainda que pratiquemos esporte, yoga, cromoterapia e outras cositas más, sempre voltamos a estaca zero, discutindo com alguém no trânsito, acordando irritados em dias difíceis, procurando um escape para os compromissos, por que?
Eu não sei, somente você pode buscar o entendimento e o conhecimento da sua essência.
Falando da minha vida, lutei muito para me conhecer verdadeiramente, e ainda continuo lutando e desbravando cada lugarzinho do meu ser, mas posso dizer que hoje eu conheço a minha essência, hoje eu me amo.
Esse amor é fruto de uma comunhão sincera com Deus, que tirou a venda dos meus olhos do coração, mostrando as minhas falhas, os meus orgulhos e a minha vaidade; e o mais importante de tudo, me presenteou com uma força inigualável para lutar contra estes males, que estão gradativamente deixando os meus pensamentos e os recantos do meu coração.
O prazer em viver é tão grande que não há outra alternativa senão contar aos outros. Quando estamos felizes com algo, a primeira atitude que pensamos é contar para alguém, certo? É assim que estou, quero contar aos outros a alegria que Deus me deu, oportunizando para as pessoas conhecer esse AMOR.
Depois do impacto do primeiro amor, em que precisei contar para todos, ah Caro Watson (hehe), a caridade se tornou prazerosa, os sorrisos alheios são almejados, as conversas se tornaram extensas e o amor é incondicional.
Cheguei, portanto, a seguinte conclusão: para amar ao próximo, precisei me amar, me conhecer e varrer toda a sujeira do meu coração.
Foi assim que iniciou o meu amor ao próximo.
Douglas Aguirre.
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